Hmmm...
Sempre quis começar um texto com essa palavra. Hmmm... Com três êmes. Soa melhor. Não que ela soe, enfim, fica com uma aparência melhor. Algo assim.
Eu tenho esse problema com as mulheres. Eu penso demais nelas. Eu penso demais nelas e não é saudável. Eu penso em pessoas que estão pensando trinta vezes menos em mim do que eu nelas. Eu penso em pessoas que sequer me conhecem. Que ficaram no passado. Em pessoas imaginárias eu parei de pensar, há alguns anos. Mas não creio que tenha sido uma evolução. Pessoas imaginárias pelo menos são uma ficção completa. Ia me ajudar a escrever boas ficções. Pensar nas pessoas reais, compromete as minhas possíveis ficções. Pois elas teriam que ter pessoas reais atuando. Com seus nomes reais e tudo, para que eu não travasse. Posso dizer com convicção que o maior erro da minha vida foi parar de imaginar situações com pessoas imaginárias e passar a imaginá-las com pessoas reais. Foi nesse momento que eu perdi o encanto. Eu penso, agora, que eu deveria ter escrito minhas primeiras ficções quando eu tinha meus nove ou dez anos. Devia ter escrito e deixado guardadas. Assim, aos vinte anos, só pegaria a base, e aprimoraria. Pegaria as boas idéias da infância, e colocaria palavras bonitas e reflexões adultas nelas. Adultas não, adolescentes. Mas já é algo. Porque, no meu presente, meu presente que eu digo é o hoje, o agora, a palavra não importa, mas eu sou muito enfático, então tenho que ficar repetindo toda hora, AGORA... ufa!, agora, eu já não tenho mais idéias. Só tenho veborragia. Falácia. Chatice.
Certos momentos eu fico com a impressão que escrevo demais e não digo nada. Isso me deixa extremamente triste, porque sei que sou vazio. Me frustro com as pessoas mas elas devem sentir o mesmo, e agem certo ao se frustrarem comigo, porque eu sou frustrante. Sabe, não que eu seja mesmo, no fundo, eu sou legal. Mas eu não consigo convencer as pessoas disso, nem a mim mesmo eu convenço muito.
Esse texto está fora do que eu sinto hoje. Porque não o escrevi hoje. Escrevi-o dia 29/12, provavelmente num horário como este, por volta das 2 da manhã. Agora são duas e cinqüenta, o ano é dois mil e sete. Hoje não pensei muito nas mulheres. Pensei um pouco, mas acho que fiquei dentro do saudável, espero. Não penso na família. Penso nos amigos. Daqui algumas horas vou a biblioteca com o meu irmão. Valorizo isto. A gente vai provavelmente caminhar até o metrô sem trocar uma palavra, mas é bom. É bom tê-lo por perto. Aquele ser que não demonstra emoção nenhuma, mas que eu sei que precisa de mim, mais do que essa dúzia de criaturas com as quais eu gasto pensamentos durante umas doze horas por dia. Algumas são só doze minutos. Mas mesmo assim... o fato de precisarem de mim ou não é irrelevante. Eu preciso delas (e deles, que fique claro que há lugar para ambos os sexos). Preciso, nem que sejam em pensamentos impuros. Porque a única coisa pura é Smirnoff... triple distilled.
Escrito por Lhiguerme às 03h14
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